28 de jul. de 2009

Rhodesian Ridgeback

Eu quero um desses pra mim!...

21 de jun. de 2009

Tenho tudo a ver com explosões...

Não tenho nada a ver com explosões”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.
Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.
Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.
(Martha Medeiros)

6 de jun. de 2009

Clarice Lispector - Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

15 de mar. de 2009

6º semestre - UFRGS

Neste semestre que se inicia os desafios parecem se aprofundar... Em cada eixo do PEAD que deixamos pra trás tenho a absoluta certeza do trabalho cumprido e das metas alcançadas. Meu esforço está sendo válido e reconhecido. Estou cada vez mais próxima da realização de mais uma etapa de minha vida. Estou bem FELIZ!
As interdisciplinas deste eixo são:
* Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II

* Educação de Pessoas com Necessidades Especiais
* Filosofia da Educação
* Questões étnico-raciais na Educação: Sociologia e História
* SEminário Integrador VI

24 de fev. de 2009

"Caio Fernando Abreu"

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso é, às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’…”

13 de fev. de 2009

Mais de Clarice... sempre ela!

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

11 de jan. de 2009

para Francisco,

Pronto, li compulsivamente este livro tão deliciosamente escrito, com meu coração apertado chorei de tão triste que é. Também sorri de tão lindo que é. Serei leitora assídua do blog parafranscisco, pois já percebi que lá tem muito mais tesouros além do livro. Cristiana Guerra encontrou uma maneira muito especial de contar ao filho sobre seu pai, que morreu dois meses antes dele nascer. Uma história de amor que foi bruscamente interrompida pela morte ao mesmo tempo em que foi presenteada com uma nova vida. Esta moça me emocionou com sua fala e com sua vida, repletas de delicadeza, alegria e uma pitada bem 'gorda' de dor. Cristiana, Francisco e Guilherme... músicas, fotos, mail's e muito carinho... que história! Afff... ainda estou lacrimejando.

30 de dez. de 2008

30 de nov. de 2008

A Greve acabou? Ou nem começou?

Mais uma greve frustrada do magistério estadual gaúcho! Infelizmente chegamos ao ponto de lutar para que a 'excelentíssima' governadora CUMPRA a lei federal. Faz sentido isso? A pessoa que deveria nos representar está nos tirando um direito legítimo. Desta vez não estávamos pedindo aumento salarial e sim lutando para que não retirassem nossas conquistas, pelas quais lutamos durante décadas no RS. Na minha opinião o movimento já começou esvaziado... em Esteio só o Augusto Meyer estava totalmente paralisado. Ninguém mais acredita que poderá alcançar algum tipo de benefício junto a este governo ditador que está aí. Muito pelo contrário, depois desta greve ridícula, acredito que nos dois anos que ainda teremos que suportar esta administração infeliz, a governadora simplesmente terminará de sucatear as escolas públicas e de quebra perderemos os parcos direitos que nos restam. Rezo para que este projeto estúpido não passe na Assembléia. Rogo para que nossos deputados tenham bom senso. Amém!

20 de nov. de 2008

Lionel Shriver

Não era uma época fácil para ser professor, se é que algum dia já foi. Pressionados pelo Estado para elevar os padrões e pelos pais para dar notas mais altas, colocados sob uma lente de aumento para que se descobrisse qualquer insensibilidade étnica ou impropriedade sexual, dilacerados entre as exigências repetitivas de proliferação de testes padronizados e o clamor dos estudantes pela criatividade de expressão, os professores eram responsabilizados por tudo que dava errado com as crianças e assediados para salvá-las de todas as maneiras. Esse duplo papel de bode expiatório e salvador era decididamente messiânico, mas mesmo em ciclos de 1998, provavelmente Jesus seria mais bem pago. (SHRIVER, Lionel. Precisamos falar sobre o Kevin. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. pág. 388)

16 de nov. de 2008

Mais uma greve... Continuemos nossa luta!

O descaso do governo federal e, principalmente do estadual em relação a educação é algo absurdo, um piso salarial de RS 950,00 para 40h é vergonhoso, muitos municípios do nosso estado pagam praticamente isso para 20h. Nossa governadora quer transformar o piso federal que já é mínimo em teto estadual, logo após pretende modificar o plano de carreira que é considerado o melhor entre os estados brasileiros. A cada dia que passa nossa responsabilidade dentro da escola aumenta, além de planejar e ministrar aulas, corrigir trabalhos e provas e atender os alunos com todas as tensões que trazem consigo, atualmente participamos da gestão da escola, colaborando em decisões que afetarão a todos, organizamos e participamos da escolha das equipes diretivas, juntamente com a comunidade escolar elaboramos o PPP, projetos dos mais variados e fazemos avaliação curricular, necessitamos também fazer valer nossas idéias e necessidades junto aos conselhos escolares. Tudo isso demanda tempo, e tempo é o que mais falta em nossas vidas, pois passamos dentro das salas de aula manhã, tarde e noite. Como já escrevi anteriormente em outra postagem nosso trabalho não é valorizado proporcionalmente a toda responsabilidade que estamos recebendo da sociedade nos últimos tempos. Recebemos críticas de todos as esferas, muito se fala de como deveria ser a educação, mas pouco se fala do que acontece realmente dentro de nossas escolas e salas de aula. Isso me desanima e entristece. Fazer malabarismos para viver com este salário de fome que recebemos a cada mês é uma humilhação e é contra isso que estamos lutando. Não estamos pedindo esmolas, queremos apenas que nosso trabalho seja reconhecido.

7 de nov. de 2008

R.E.M. em Porto Alegre

Que noite fantástica! Até São Pedro colaborou, parou de chover e deu tempo para o gramado do Zequinha secar! Sim, o show do R.E.M. foi sensacional! Michael Stipe, Mike Mills (baixo) e Peter Buck (guitarra) tocaram praticamente todas as minhas favoritas: Drive, Electrolite, Losing My Religion, Imitation of Life, Bad Day, The One I Love, It’s the End of the World, Everybody Hurts (momento em que chorei baixinho) e Man on the Moon entre outras; lamentavelmente faltou Lotus e Country Feedback. Num telão gigante ao fundo do palco surgiam muitas imagens gráficas multicoloridas misturadas com cenas dos músicos tocando e da platéia delirando. Graças a Deus eu pude estar lá e assistir este show histórico, pois talvez não tenhamos outra oportunidade como esta em Porto Alegre! O Michael é incrível, contagiou e emocionou a todos com sua energia, desceu do palco duas vezes para abraçar os fãs e fez um belo discurso festejando a vitória de Barack Obama, usou até o cartaz levado por uma fã. Foi um momento único quer não esquecerei jamais!
Pontos a melhorar: O som baixo, os telões laterais eram minúsculos para um show desse porte e a saída do estádio foi caótica.

15 de out. de 2008

Batam Palmas Pra Ele Que Ele Merece!

Professores
Protetores das crianças do meu país
Eu queria, gostaria
De um discurso bem mais feliz
Porque tudo é educação
É matéria de todo o tempo
Ensinem a quem pensa que sabe tudo
A entregar o conhecimento
Na sala de aula é que se forma um cidadão
Na sala de aula é que se muda uma nação
Na sala de aula não há idade, nem cor
Por isso aceite e respeite o meu Professor
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Que ele merece

Anjos da Guarda (Samba de Leci Brandão)

6 de out. de 2008

Venceu a União Por Esteio

Minha esperança no resultado das eleições municipais de Esteio é muito grande. Preciso acreditar nestas pessoas ou mudarei para outra cidade! Parece-me que tanto o prefeito eleito quanto seu vice - mesmo de partidos políticos com ideologias tão diferentes - querem acertar, querem fazer a diferença. Os dois são jovens e tem um futuro pela frente, podem vir a ser candidatos novamente na esfera municipal, estadual ou federal, mas para isso devem cumprir o que está no programa de governo da coligação União por Esteio. Já me disseram que estou sendo ingênua e até romântica com este meu pensamento! Pode até ser verdade. Esta sou eu... preciso confessar! Vou acreditar, apostar e manter minha esperança... até que me provem o contrário...

14 de set. de 2008

Blindness

- Se ninguém estivesse lhe vendo, você seguiria todas as regras?
Ontem assisti Ensaio sobre a Cegueira de Fernando Meirelles, baseado no romance do escritor português José Saramago. Todos os personagens do filme enxergam somente uma névoa branca, exceto a mulher do oftalmologista que tudo vê, mas só o marido sabe. Ninguém tem nome e isso é o que menos importa naquela situação. A epidemia da cegueira branca traz a tona os instintos mais primitivos do homem, pois quando são colocados em quarentena em um manicômio desativado começam as lutas pelo poder, caindo por terra todo e qualquer sinal de civilização humana. Em nome da sobrevivência e sob o véu da cegueira um grupo de cegos comete todo tipo de atrocidade, mostrando que seres racionais podem agir como animais quando não há ninguém para testemunhar ou punir. O autor afirma em sua obra que o ser humano só segue as normas sociais porque é visto e julgado todo o tempo pelos seus pares. O que Saramago diz faz sentido. Nossos políticos são um exemplo disso, cada nova maracutaia denunciada prova que o criminoso achava que nunca seria descoberto, cada prefeito que desvia dinheiro da merenda escolar para colocar mais um carro zero na sua garagem, está não somente negando um direito de nossos alunos, mas também contribuindo para o colapso da sociedade em que vivemos. Entretanto o autor nos mostra que outra via é possível, pois a mulher que finge ser cega, juntamente com seu marido e um pequeno grupo sustentam que ainda existe esperança, que o ser humano também tem bondade e coragem em sua essência e que unidos pela mesma causa podem fazer a diferença.