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1 de ago. de 2010

4 de jan. de 2010

Ítalo Calvino


“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.” (Calvino, Ítalo. As Cidades Invisíveis. SP: Companhia das Letras, 1990)

12 de out. de 2009

PAIXÃO

"alisa a pele,
rasga a carne,
expõe o nervo..."

(Rosane Coelho de Oliveira)

5 de set. de 2009

Eu...

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.

(Martha Medeiros)

21 de jun. de 2009

Tenho tudo a ver com explosões...

Não tenho nada a ver com explosões”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.
Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.
Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.
(Martha Medeiros)

6 de jun. de 2009

Clarice Lispector - Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

24 de fev. de 2009

"Caio Fernando Abreu"

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso é, às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’…”

13 de fev. de 2009

Mais de Clarice... sempre ela!

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

11 de jan. de 2009

para Francisco,

Pronto, li compulsivamente este livro tão deliciosamente escrito, com meu coração apertado chorei de tão triste que é. Também sorri de tão lindo que é. Serei leitora assídua do blog parafranscisco, pois já percebi que lá tem muito mais tesouros além do livro. Cristiana Guerra encontrou uma maneira muito especial de contar ao filho sobre seu pai, que morreu dois meses antes dele nascer. Uma história de amor que foi bruscamente interrompida pela morte ao mesmo tempo em que foi presenteada com uma nova vida. Esta moça me emocionou com sua fala e com sua vida, repletas de delicadeza, alegria e uma pitada bem 'gorda' de dor. Cristiana, Francisco e Guilherme... músicas, fotos, mail's e muito carinho... que história! Afff... ainda estou lacrimejando.

30 de dez. de 2008

20 de nov. de 2008

Lionel Shriver

Não era uma época fácil para ser professor, se é que algum dia já foi. Pressionados pelo Estado para elevar os padrões e pelos pais para dar notas mais altas, colocados sob uma lente de aumento para que se descobrisse qualquer insensibilidade étnica ou impropriedade sexual, dilacerados entre as exigências repetitivas de proliferação de testes padronizados e o clamor dos estudantes pela criatividade de expressão, os professores eram responsabilizados por tudo que dava errado com as crianças e assediados para salvá-las de todas as maneiras. Esse duplo papel de bode expiatório e salvador era decididamente messiânico, mas mesmo em ciclos de 1998, provavelmente Jesus seria mais bem pago. (SHRIVER, Lionel. Precisamos falar sobre o Kevin. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. pág. 388)

7 de nov. de 2008

R.E.M. em Porto Alegre

Que noite fantástica! Até São Pedro colaborou, parou de chover e deu tempo para o gramado do Zequinha secar! Sim, o show do R.E.M. foi sensacional! Michael Stipe, Mike Mills (baixo) e Peter Buck (guitarra) tocaram praticamente todas as minhas favoritas: Drive, Electrolite, Losing My Religion, Imitation of Life, Bad Day, The One I Love, It’s the End of the World, Everybody Hurts (momento em que chorei baixinho) e Man on the Moon entre outras; lamentavelmente faltou Lotus e Country Feedback. Num telão gigante ao fundo do palco surgiam muitas imagens gráficas multicoloridas misturadas com cenas dos músicos tocando e da platéia delirando. Graças a Deus eu pude estar lá e assistir este show histórico, pois talvez não tenhamos outra oportunidade como esta em Porto Alegre! O Michael é incrível, contagiou e emocionou a todos com sua energia, desceu do palco duas vezes para abraçar os fãs e fez um belo discurso festejando a vitória de Barack Obama, usou até o cartaz levado por uma fã. Foi um momento único quer não esquecerei jamais!
Pontos a melhorar: O som baixo, os telões laterais eram minúsculos para um show desse porte e a saída do estádio foi caótica.

15 de out. de 2008

Batam Palmas Pra Ele Que Ele Merece!

Professores
Protetores das crianças do meu país
Eu queria, gostaria
De um discurso bem mais feliz
Porque tudo é educação
É matéria de todo o tempo
Ensinem a quem pensa que sabe tudo
A entregar o conhecimento
Na sala de aula é que se forma um cidadão
Na sala de aula é que se muda uma nação
Na sala de aula não há idade, nem cor
Por isso aceite e respeite o meu Professor
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Que ele merece

Anjos da Guarda (Samba de Leci Brandão)

14 de set. de 2008

Blindness

- Se ninguém estivesse lhe vendo, você seguiria todas as regras?
Ontem assisti Ensaio sobre a Cegueira de Fernando Meirelles, baseado no romance do escritor português José Saramago. Todos os personagens do filme enxergam somente uma névoa branca, exceto a mulher do oftalmologista que tudo vê, mas só o marido sabe. Ninguém tem nome e isso é o que menos importa naquela situação. A epidemia da cegueira branca traz a tona os instintos mais primitivos do homem, pois quando são colocados em quarentena em um manicômio desativado começam as lutas pelo poder, caindo por terra todo e qualquer sinal de civilização humana. Em nome da sobrevivência e sob o véu da cegueira um grupo de cegos comete todo tipo de atrocidade, mostrando que seres racionais podem agir como animais quando não há ninguém para testemunhar ou punir. O autor afirma em sua obra que o ser humano só segue as normas sociais porque é visto e julgado todo o tempo pelos seus pares. O que Saramago diz faz sentido. Nossos políticos são um exemplo disso, cada nova maracutaia denunciada prova que o criminoso achava que nunca seria descoberto, cada prefeito que desvia dinheiro da merenda escolar para colocar mais um carro zero na sua garagem, está não somente negando um direito de nossos alunos, mas também contribuindo para o colapso da sociedade em que vivemos. Entretanto o autor nos mostra que outra via é possível, pois a mulher que finge ser cega, juntamente com seu marido e um pequeno grupo sustentam que ainda existe esperança, que o ser humano também tem bondade e coragem em sua essência e que unidos pela mesma causa podem fazer a diferença.

3 de jul. de 2008

Hoje voltei a chorar...

...todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos,...
- José Saramago in “Ensaio sobre a Cegueira”

Tenho a impressão que não vou parar de chorar! Mas, eu sei que isso passa, já chorei outras vezes. As lágrimas servem para levar tudo embora, desde a dor até as lembranças.Eu preciso chorar, chorar pela perda do que tive e pelo que nunca possuí também. Chorar até as lágrimas secarem. Aí estarei pronta pra recomeçar...

30 de jun. de 2008

Vinícius de Morais

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

8 de jun. de 2008

Get Carried Away...

"Dizem que nada dura para sempre. Sonhos mudam, tendências vêm e vão. Mas as amizades nunca saem de moda". (CB)

Assisti ontem... AMEEEEI... lindooooo, chorei, ri muito, me emocionei...
Assim como na série, o filme Sex And The City, conta a história destas quatro maravilhosas mulheres - que, como todos nós - desejam encontrar o grande novo amor de suas vidas.
As atrizes Sarah Jessica Parker, Kim Catrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon estão simplesmente MARAVILHOSAS!
A amizade entre as personagens Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda é o ponto mais alto do filme pra mim. Claaaaaaaro que as roupas também são ESPETACULARES - até já copiei um vestido pra mim - porém, a Carrie só usou 80 modelitos diferentes no filme...hehehehehehehhh...
Alguns podem dizer que se trata só de entretenimento fútil e consumista, mas, acredito que podemos refletir e aprender com algumas das passagens do filme, ele traz a tona nossas melhores qualidades e piores defeitos, seja numa amizade duradoura ou numa relação passageira.
Eu sempre adorei do seriado, seguidamente revejo alguns episódios. O filme veio para fechar com chave de ouro esta série que tanta saudade deixou. Não deixe de assitir!

4 de jun. de 2008

Passe em casa... Tribalistas

Passam passaros e aviões
E no chão os caminhões
Passa o tempo, as estacões
Passam andorinhas e verões
Passe em casa, tô te esperando
Passe em casa, tô te esperando
Estou esperando visita tão impaciente e aflita
Se voce não passa no morro,
eu quase morro, eu quase morro
Estou implorando socorro,
eu quase morro, eu quase morro
Vida sem graca se voce não passa no morro
Ja estou pedindo que...
Passe um tempo, passe lá
Passe mal com meus lencóis
Passe agora, passe enfim
Passe um momento pra ficarmos sós...